ERP Nexus

Os Bastidores do NEXUS: Como Construímos um ERP que 100+ Pessoas Usam Todo Dia

A história real por trás do desenvolvimento, decisões técnicas e os erros que viraram aprendizado

Toda vez que alguém pergunta como nasceu o ERP Nexus, eu penso na primeira vez que rodamos ele em produção. Eram 3 da manhã, o sistema estava no ar, e a primeira indústria cliente faria o teste real no dia seguinte. Hoje, mais de 100 pessoas usam o sistema diariamente. A jornada até aqui foi cheia de decisões técnicas interessantes — algumas geniais, outras nem tanto.

Por Que Django Quando Todo Mundo Falava .NET?

Em 2018, quando começamos o desenvolvimento, o mercado brasileiro de ERP era dominado por soluções em .NET e Delphi. A pressão interna era clara: "vamos pelo caminho conhecido". Mas decidimos apostar no Django, e essa foi provavelmente a melhor decisão técnica que tomamos.

O framework Python nos deu velocidade de desenvolvimento incomparável. Onde outras equipes levavam meses para implementar um módulo financeiro, conseguíamos entregar em semanas. O sistema de ORM do Django eliminou 90% das dores de cabeça com SQL, e a estrutura MVT manteve o código organizado mesmo com o crescimento exponencial das funcionalidades.

A real vantagem: quando um cliente da indústria química pediu integração com equipamentos IoT, conseguimos implementar em Django em duas semanas. Em .NET, estimávamos dois meses.

PostgreSQL + Firebird: O Casamento Improvável que Deu Certo

Aqui está uma decisão que parecia errada no papel, mas salvou nosso projeto. Muitos clientes do agronegócio chegavam até nós com anos de dados em Firebird. Migrar tudo para PostgreSQL seria inviável — estamos falando de históricos de 10+ anos de safras.

A solução foi criar uma arquitetura híbrida. O PostgreSQL virou nosso motor principal — ideal para as consultas complexas que um ERP industrial exige. O Firebird ficou responsável pelos dados legados, com sincronização automática para os módulos que precisavam dessa informação.

O resultado prático: clientes conseguem consultar relatórios consolidados que misturam dados históricos (Firebird) com informações atuais (PostgreSQL) sem perceber que são dois bancos diferentes rodando por baixo.

O Erro que Quase Quebrou o Sistema (e Como Consertamos)

Nem tudo foram flores. No início de 2020, tomamos uma decisão que quase matou o projeto: implementamos um sistema de cache Redis super agressivo para "acelerar tudo". O problema é que criamos uma verdadeira teia de dependências.

Quando o sistema começou a crescer, o cache virou nosso pesadelo. Dados desatualizados apareciam nos dashboards, relatórios mostravam informações conflitantes, e o pior: não conseguíamos identificar rapidamente onde estava o problema.

A virada: refatoramos todo o sistema de cache em três semanas intensas. Criamos regras claras: cache apenas para consultas pesadas, tempo máximo de 5 minutos para dados financeiros, e invalidação automática sempre que dados relacionados fossem alterados.

Princípios que Viraram Lei

Depois de alguns sustos, estabelecemos princípios não-negociáveis:

Código deve ser óbvio, não inteligente. Se um desenvolvedor novo não entende uma função em 2 minutos, ela precisa ser reescrita. Isso salvou incontáveis horas de manutenção.

Toda alteração crítica tem rollback em um clique. Quando você tem uma indústria rodando 24/7, não pode se dar ao luxo de "vamos resolver amanhã".

Performance é medida, não achada. Implementamos logging detalhado desde o dia 1. Quando um cliente reclama de lentidão, sabemos exatamente onde está o gargalo em menos de 5 minutos.

O Django Admin que Virou Diferencial Competitivo

Uma funcionalidade que subestimávamos virou nosso diferencial: o Django Admin customizado. Transformamos a interface administrativa padrão em uma ferramenta poderosa para suporte técnico.

Quando um cliente liga com problema, nosso time de suporte consegue diagnosticar e resolver 80% das situações diretamente pelo admin, sem precisar acessar o banco de dados ou pedir para o cliente reiniciar o sistema.

Arquitetura que Escala Sem Drama

Hoje o NEXUS roda em containers Docker, com deploy automatizado e monitoramento em tempo real. Mas a base continua sólida: Django para a lógica de negócio, PostgreSQL para performance, e uma camada de API REST que permite integrações com qualquer sistema externo.

O mais importante: conseguimos manter a simplicidade. Um desenvolvedor júnior consegue entender e contribuir com o código em poucas semanas, não meses.

O Que Aprendemos (e Você Pode Aplicar)

Se você está desenvolvendo um sistema que vai crescer, algumas lições do NEXUS podem ajudar: invista tempo na arquitetura inicial, mas não tente prever todos os problemas futuros. Escolha ferramentas que você domina, não as mais modernas. E principalmente: mantenha tudo simples — complexidade é inimiga da manutenção.

Está pensando em desenvolver um sistema robusto para sua empresa? Converse com nosso time. Às vezes, a melhor solução não é reinventar a roda, mas encontrar quem já passou pelos mesmos desafios que você vai enfrentar.

#arquitetura #desenvolvimento #django #ERP Nexus #PostgreSQL
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